Promessas de Fim de Ano

Dezembro já chegou e o clima de Natal e Fim de Ano já começam a mostrar as caras. E com a véspera de ano novo chegando, começam a pipocar nas nossas cabeças as famosas promessas de fim de ano. Aquelas resoluções que nos vem em momentos de clima de renovação e energia positiva, mas que nunca sobrevivem à primeira semana de janeiro. Vocês sabem do que estou falando, né?

E eu acho engraçado que nessas horas muitas pessoas acabam colocando a culpa em marcações temporais para seus problemas, para ter um álibi plausível de poder apertar o botão de “Reset” e dizer: AGORA VAI. Sabe aquele velho papo? “Vai logo embora 2017” ou “2017 foi o pior ano”. As pessoas adoram falar isso.

Quando na verdade, na prática, não faz diferença alguma, pois o impacto da passagem de ano do nosso calendário gregoriano dificilmente tem real alteração na nossa rotina (mas calma, vou explicar melhor esse conceito mais adiante). Não há magia na queima de fogos de artifício que se encarregue de zerar todos os seus problemas.

Essa é uma época do ano em que as pessoas têm essa estranha mania de querer culpar “o ano” por todos os problemas, como se 2017 fosse uma entidade viva que quer te impedir de ser feliz. Com isso, as pessoas acabam se isentado da verdadeira culpa de não seguir e realizar seus objetivos. O emprego de seus sonhos que você ainda não conseguiu, aquela casa que você tanto queria, a viagem que você sempre sonhou em fazer. O que você fez para conseguir essas coisas? Você foi atrás do emprego dos seus sonhos? Trabalhou duro para conseguir aquela casa? Planejou para fazer a viagem? Ao invés disso é muito mais fácil falar simplesmente que foi um ano difícil, né?

Vai logo embora 2017”.

Eu te garanto que culpar a passagem do tempo do calendário e no movimento de translação da Terra em torno do Astro Rei não vai te colocar mais perto de seus sonhos. Temos que colocar na cabeça que o tempo não está aqui para nós, pois ele é inexorável.

 

Os ciclos da passagem de tempo e a nossa rotina

A raiz desse conceito todo é o ciclo, pois a premissa das promessas de final de ano é justamente traçar metas para um novo ciclo que se renova. O ser humano se define em rotinas e essas rotinas, por sua vez, são definidas por ciclos.

O que entendemos como marcação do tempo nada mais é que uma marcação física do mesmo: o movimento de translação da Terra em torno do sol (como eu já mencionei acima). E essa marcação física é que nos dá a percepção de passagem de tempo. E é interessante notar que com essa percepção, consequentemente nós percebemos as coisas como pertencentes a um padrão que se repete. Se nós não tivéssemos essa capacidade de perceber tais padrões, esses ciclos, o movimento físico da Terra não faria o menor sentido cíclico para nós.

Curiosidade: temos essa marcação de tempo até mesmo num nível celular, pois existem certas células no nosso corpo que possuem alguns padrões de ativação baseados nesses ciclos que nos são perceptíveis.

Graças à essas percepções de padrões (e consequentemente a percepção que temos do tempo se passando e as coisas mudando), acabamos nos tornando escravos desse conceito que dita: eu tenho o hábito X que eu não consegui pôr em prática (ou concluir), e agora com a virada desse ciclo é a hora perfeita de tentar recomeçar esse hábito X.

Ano que vem eu prometo fazer academia”.

Percebeu?

Entendendo esse conceito, não deixo de pensar como seria imensamente interessante se pudéssemos pegar uma pessoa e tirar dela essa percepção de padrões e do tempo se passando. Arrisco dizer que provavelmente essa pessoa nunca teria essa ânsia que todo mundo tem de querer apertar o Reset no final o ano. E com isso provavelmente não teria essa gama de desculpas que afetam diretamente seus hábitos.

As pessoas são viciadas em criar bodes expiatórios para não cumprir seus objetivos, mesmo que seja o mais simples dos hábitos, como começar a fazer academia.

Parece bobo, não? Mas é o que acontece.

Claro que, ter a percepção dos ciclos não é algo ruim, ok? Já que isso nos traz o entendimento e o discernimento de enxergar a repetição dos eventos das nossas vidas, e essa repetição nos dá uma vantagem biológica, pois desse modo (como espécie) nós podemos nos preparar para o ano seguinte: com isso o ser humano é capaz de planejar uma boa colheita de certa fruta na época certa do ano. As espécies que não têm a percepção da repetição dos ciclos não têm a vantagem evolutiva em poder aproveitar essa repetição em seu meio.

Podemos usar esse conceito para plantarmos e semearmos as coisas boas que vão nos acontecer durante todo o ano, baseando-se no que já nos aconteceu, naquilo que já deu certo. Repetindo fórmulas de sucesso ou mesmo reinventá-las e adaptá-las em outros âmbitos. Só você pode fazer isso acontecer, e o “Ano” (como entidade viva, tal qual imaginamos) não poderá te impedir de realizar seus objetivos.

 

O ser humano busca hábitos

A mente humana, por natureza, fundamentalmente anseia por rotinas. Somos buscadores naturais de hábitos e o fazemos implicitamente (como trancar a porta ao sair de casa, por exemplo). Esses são hábitos que fazemos de forma automática e não deliberadamente. Mas existem certos hábitos de cunho mais social (hábitos que temos noção explícita), e são geralmente esses que nós tentamos mudar nas promessas de fim de ano.

Ninguém faz promessa de fim de ano, por exemplo, de trocar a mão que usa para trancar a porta ao sair de casa, pois esse é um hábito implícito, automático. Por isso as pessoas tendem a prometer trocar hábitos de valor social diferente dos hábitos implícitos que nos são rotineiros, e o que torna esses hábitos explícitos mais difíceis de mudar é exatamente pela pressão social, ainda mais quando o nosso cérebro está nos fazendo seguir nossa rotina.

Ano que vem prometo emagrecer“, ao mesmo tempo que o nosso cérebro está falando para comer aquele pedaço de bolo na geladeira. Percebe?

É neste conflito que há a quebra da promessa. Isso é um padrão cognitivo subjacente e essa ação de tentar fechar um ciclo dentro da nossa cabeça (com a mudança de um hábito) está totalmente fadada a falha se não houver uma mudança de atitude, foco e dedicação para que suas promessas de fim de ano não apenas sobrevivam a primeira semana de janeiro, mas que sejam de fato concluídas com louvor. Garanto que o resultado será infinitamente mais satisfatório.

 

O verdadeiro poder da mudança está em nós

Precisamos entender que a mudança é uma energia do universo. Sempre presente e constantemente em vibrações que movimentam nossas ações. Ela é cíclica e contínua. A mudança é a natureza da nossa própria existência e o verdadeiro poder da mudança está em nós.

Há uma ignorância mundana que nos impede de mudar e nos retarda o crescimento. Consequentemente nos distancia dos nossos sonhos e objetivos. Achamos desculpas para nossas falhas e encontramos conforto em promessas vazias de mudanças que nunca chegam.

Faça acontecer. Este ano não fique só na promessa, cumpra. O momento em que usamos a mudança é o momento da nossa libertação. O poder da mudança é o que nos dá poder para criarmos uma vida totalmente nova, mesmo que comecemos com pequenos detalhes. Mas temos que começar.

Quando nós mudamos, tudo muda. E é aí que está a verdadeira magia, não nos fogos de artifício. Seja grato pelo ano que passou, não faça dele seu inimigo. Saiba enxergar o real ciclo que se renova e use isso a seu favor.

A mudança começa por nós.