Dia da Consciência Negra

Sei que esta é uma data muito polêmica e controversa, mas antes de falarmos que o Dia da Consciência Negra é mimimi e vitimismo, cabe entender melhor o que nos trouxe a esse ponto, do ponto de vista humanitário.

A criação desta data serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da nossa cultura. Durante toda nossa história, é evidente que os negros africanos contribuíram imensamente nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos, religiosos e culturais do nosso país.

Embora a abolição da escravatura só se tornou oficial em 1888 no Brasil, os negros sempre resistiram e lutaram contra a opressão e as injustiças advindas de uma herança escravista e extremamente racista. Durante muito tempo ocorreu uma valorização exacerbada dos personagens históricos de cor branca, presumindo-se que a história do nosso país tivesse sido construída apenas pelos europeus e seus descendentes. Figuras que eram consideradas heróis nacionais na nossa história como imperadores, navegadores, bandeirantes, sempre estiveram enraizados no imaginário brasileiro, mas acabamos nos esquecendo do grande advento que foi a vinda dos negros para as Américas e sua importância, não só histórica, mas como humanitária.

Além dos grandes heróis negros mais conhecidos, tais como Zumbi (o escravo que foi líder do Quilombo dos Palmares) e Francisco José do Nascimento, é tempo também de lembrarmos e nos conscientizarmos das heroínas negras do Brasil também, como Luíza Mahin, uma importante protagonista da famosa Revolta dos Malês, ou mesmo Dandara, uma implacável guerreira na luta pela liberdade do povo negro no século XVII, participou das lutas palmarinas, conquistando um grande espaço de liderança e ,de maneira intransigente, entendia que a liberdade era inegociável, enfrentando todas as batalhas que sucederam em Palmares. Dandara era companheira de Zumbi dos Palmares.

Dandara, companheira de Zumbi dos Palmares

Inclusive, vale destacar que a data do feriado do Dia da Consciência Negra é uma homenagem a Zumbi, que morreu em 20 de novembro de 1695.

É importante constatar que passos importantes estão sendo tomados na educação do nosso país, visto que nas escolas hoje em dia já é obrigatória a inclusão de disciplinas e conteúdos que visam estudar a história da África e a cultura afro-brasileira. Atitudes como essas e a conscientização da importância da cultura negra valorizem o brado retumbante do nosso povo brasileiro e da nossa história.

 

 

 

A Era Jim Crow: Segregação Racial nos EUA

Até a promulgação da Lei dos Direitos Civis (1964) nos EUA, as chamadas “Leis de Jim Crow” permitiam uma desumana e dolorosa divisão entre cidadãos americanos negros e brancos (chamados na época de “Colored People”, ou “Pessoas de Cor”), gerando repercussões que infelizmente são sentidas até hoje.

Depois da Guerra Civil americana, foram criadas inúmeras leis para manter a população negra separada da população branca. Vale lembrar que no sul do país a situação estava cada vez pior com a supremacia dos confederados tomando conta das ruas, das casas e do consciente popular americano, não tardou para que nascesse a monstruosa ordem da Ku Klux Klan (conhecida também como KKK), perseguindo e matando os negros de várias comunidades.

 

Integrantes da KKK formam círculo em volta de uma cruz em chamas durante protesto em Albany, Geórgia, que contou com a presença estimada de 3.000 pessoas, em 1962.

Durante este conturbado período da história, acabaram-se destacando também muitas imagens famosas na luta contra o racismo e pela igualdade racial, como Martin Luther King, Malcom X, Nina Simone, entre outros.

 

 

 

 

 

 

 

 

A Era Jim Crow: Estereótipos Racistas

No início do século XIX, o comediante novaiorquino Thomas D. Rice, em suas viagens para o sul dos EUA percebeu que era costume por lá os senhores de escravos chamarem os negros de “Crow” (em português, “Corvo”), dado a cor negra da ave. Os escravos, por sua vez, em suas horas de descanso, costumavam cantar uma canção sobre uma figura lendária chamada Jim Crow. Daí o nome.

Jim Crow

A partir daí, Rice teve a ideia de pintar seu corpo de preto e se apresentar em casas de shows onde cantava sua adaptação da música dos escravos — A Jump Jim Crow. Nessas apresentações ele incorporava uma caricatura de mau gosto e satírica do que ele achava ser o “negro típico”. Seus números fizeram tanto sucesso dos EUA que a apresentação começou a ser copiada em outros estados, dando origem ao que mais tarde se chamou de Vaudeville e que, alguns anos depois, flertaria com o Burlesque regado a jazz e blues (estilos musicais que vieram dos negros).

Com o tempo, Jim Crow se tornou um sinônimo para negros americanos usados e subjugados por brancos, sugerindo como os negros eram inferiores e bem menos desenvolvidos intelectualmente. Um conceito que infelizmente se estendeu ao longo dos anos, graças à cultura pop e a ignorância humana.

 

Hoje é um dia para reflexão

Nina Simone, ícone musical do jazz e importante figura na luta pela igualdade racial

Hoje, portanto, é um dia de conscientização e reflexão. Encontramos nesta data simbólica uma forma de integrar à raça negra em meio a sociedade brasileira, relembrando toda a luta e sofrimento que esse povo passou para ganharem seus direitos como seres humanos. Ainda vivemos o eco de uma história racista onde pessoas discriminam outras pessoas por causa da cor de sua pele.

O Dia da Consciência Negra é uma forma de lembrarmos os nossos erros como seres humanos e combater o racismo que, mesmo depois da libertação dos escravos, ainda não fez com que os negros recebessem o respeito que eles merecem.

Hoje é dia de enfatizar a importância da população negra para a cultura e desenvolvimento da nação brasileira e de outros países. Durante este período, diversas atividades e projetos são realizados nas escolas de todo o país para comemorar a luta dos afrodescendentes. Assuntos como inclusão dos negros no mercado de trabalho, cotas em universidades, discriminação por parte da polícia, moda e beleza, entre outros, são os assuntos tratados com mais ênfase durante essa semana, mas que deveriam estar sempre presentes nas nossas pautas.

Billie Holiday, lenda do jazz e um ícone da cultura negra norte-americana. Billie Holiday teve uma vida sofrida por causa da cor de sua pele e foi, portanto, um produto de seu tempo. Seu sofrimento estava refletido em suas letras e melodias tristes

 

Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele.

Martin Luther King